Mesmo com a economia instável uma parte dos empresários brasileiros está se destacando: os pequenos. Hoje, as empresas de menor porte (micro, pequenas e empreendedores individuais) respondem por apenas 27% do PIB do Brasil, a soma de tudo o que é produzido no país, mas são elas que estão concentradas no comércio e no setor de serviços e as maiores geradoras de emprego: 54% das vagas formais de trabalho.

Além disso, representam 98,5% do total das empresas do país, muito mais que o percentual de 1,5% das médias e grandes. Esses pequenos negócios, no primeiro semestre contrataram 264 mil empregados, enquanto, as médias e grandes empresas fecharam 170 mil vagas.

Se a assistente de confeitaria Nicole Eskildsen falta, não tem expediente. “Aqui tem bastante trabalho pra fazer, tem bastante encomenda. Aqui dentro da cozinha, eu não ouço falar de crise, não”, brinca.

É ela a única responsável pela produção do pão de mel, a aposta da confeitaria para dobrar de tamanho em plena recessão. Se a inovação é o produto, o segredo industrial é a calda de mel e gengibre e a sacada da empresária foi criar uma marca nova dentro da mesma empresa.

“A gente já tinha toda a estrutura montada. Já tinha a cozinha, a gente já tem todos os fornecedores formados e parceiros. Então faltava mesmo uma nova funcionária”, explica Mayra Afonso Correia de Toledo.

Multiplicando essa experiência pelo país é possível entender porque os micro e pequenos negócios estão contratando ao contrário dos médios e grandes. Em julho, foram abertos 43.695 mil postos de trabalho nas micro e pequenas empresas. No mesmo período, as médias e grandes empresas fecharam 6,8 mil vagas.

Já faz quatro meses que as pequenas e médias vêm sustentando o mercado de trabalho no país, contratando mais profissionais do que as médias e grandes.

“A micro e a pequenas empresas são aquelas que mesmo durante a crise conseguem gerar mais empregos porque elas são intensivas em mão-de-obra e não em capital. E elas não estão substituindo mão-de-obra por tecnologia”, explica Guilherme Afif Domingos, presidente do Sebrae.

O professor de Finanças da Fundação Getúlio Vargas explica que a crise deixou as pequenas e micro tão enxutas que é natural que elas sejam as primeiras a contratar funcionários.

“A qualquer sinal que ele comece a perceber que vai perder vendas por não atender ao consumidor, ele fala ‘já está na hora de dois eu passar para três funcionários’”, diz Fábio Gallo.

É bom, mas poderia ser melhor. Se a marca nova tivesse loja própria seriam, pelo menos, mais duas pessoas contratadas para fazer o atendimento no balcão e o ideal seria ter mais uma assistente de confeitaria na cozinha para dar conta das encomendas. Mas assim como os grandes, esses pequenos investidores também esperam por um cenário mais favorável da economia.

“O empresário, qualquer que seja o tamanho, é mais ou menos como um piloto que está saindo para levantar o voo: se ele só vê fumaça à frente, ele não levanta voo porque ele não consegue enxergar qual o tamanho do risco dele”, completa Fábio Gallo.

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